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    CCPMENSAGEM DO FUTURONuno Dores

    Uma mensagem do futuro de Nuno Dores

    “Xangai está 8 horas à frente de Portugal, Mas no que toca a isolamento provocado pelo coronavírus, vamos com 2 meses de avanço. A convite do CCP, quero partilhar o que fizemos para nos adaptarmos a esta nova realidade – em termos de vida e de trabalho.
    No final de tudo isto tudo, vão-se aperceber que o bem mais essencial não era o papel higiénico, mas sim garrafas de vinho.
    A verdade é que ficar em casa não é assim tão mau. Temos a oportunidade de passar tempo em família (algo que culpamos o trabalho por não nos deixar fazer) e, por tempo ilimitado, podemos andar de pijama o dia todo. Se este vírus trouxe à luz expressões como profiláctico e açambarcamento, também nos obrigou a testar as nossas
    capacidades de conjugar pijamas de diferentes padrões. Isso e a trabalhar a partir de casa.
    Numa situação excepcional como esta, o ritmo de trabalho não será tão linear e fluído como de costume. Aqui, por ter coincidido com o final do ano novo chinês, demorou um bocadinho mais até voltar ao ritmo habitual. Houve alturas de pico e alturas de tempo morto. O que é importante é encontrar um equilíbrio. Trabalhar algumas vezes com calças de pijama é ok. Trabalhar na cama já nem por isso. Vão descobrir que se calhar são mais produtivos de manhã, outros mais produtivos à noite. Bailem consoante o vosso ritmo, sem nunca por de parte as obrigações. Façam pausas frequentemente para esticar as pernas. Vão acabar por ir até à janela e olhar lá para fora mais vezes do que imaginavam. Hello darkness, my old friend.
    Mas o facto de estarem em isolamento não quer dizer que não se divirtam. Vão ligar mais vezes por vídeo-chamada aos vossos amigos e finalmente vão poder ter tempo para fazerem o que sempre quiseram. Ver aquela série que o algoritmo do Netflix está sempre a sugerir. Porque não? Aprender a fazer macramé? O Youtube ensina. Fazer uma pizza do zero? Claro que sim. Até porque no pior dos casos, pizza é sempre boa, mesmo quando é má. No meu caso, comecei a explorar o Spark AR Studio, que é usado para fazer face filters. O importante é que usem o tempo livre para saírem do mood coronavírus, que inclui desligar um bocado da loucura das redes sociais (ainda que muito provavelmente estejam a ler isto através de um ecrã).
    Acima de tudo, esta situação ensina-nos muito sobre o conceito de comunidade. Apesar de estarmos todos em pé de igualdade e na mesma situação, pode haver quem esteja mais vulnerável. Não só em termos de saúde, mas em termos de estabilidade financeira.
    Estou a falar de estagiários, freelancers, produtores ou fornecedores. Esta é a altura de sermos mais compreensivos e flexíveis. Mais humanos. De nos unirmos e nos ajudarmos mutuamente, para que no fim todos possamos sair de pé desta situação.
    Isto não é o fim do mundo. É apenas uma oportunidade para parar, olhar à nossa voltar e mudar o que está errado. No final, quando tudo isto passar, vão perceber que trabalhar num escritório não é assim tão mau, que até tem saudades dos vossos colegas e que afinal todos temos muito em comum – quanto muito o facto de toda a gente fazer conference calls com uma estante com livros como pano de fundo.
    Aqui, no futuro, já há esperança. Esta semana já nos deram indicações de que podemos sair à rua sem máscara. Os escritórios já voltaram a abrir e ao final de dois meses trabalhar a partir de casa já não é obrigatório. Os únicos novos casos são de pessoas que vieram de fora. Finalmente, já se pode respirar fundo. Tudo isto só foi possível porque houve um esforço enorme em fazer testes (ao mínimo sintoma as pessoas eram testadas), um grande controlo nas ruas e espaços públicos (medição de temperatura
    corporal, até para entrar em supermercados) e um sentido de comunidade incrível, em que toda a gente cumpriu com o isolamento de forma exemplar.
    Por isso, nunca é demais reforçar a mensagem:
    Evitem sair de casa, evitem estar com amigos e evitem visitar familiares incluídos no grupo de risco. Pensem nos outros quando forem às compras ao supermercado.
    E sobretudo, para o bem comum, evitem fazer trocadilhos com a palavra “Covid”. Tanto no presente como no futuro, todos vamos agradecer por isso.”

    NUNO DORES

     

    Bio

    Nuno Dores. 31 anos. Nasceu no Montijo, vive em Xangai. Não diz os L’s e escreve como fala. É Freelance Associate Creative Director. Nos tempos livres persegue pessoas na rua com uma máquina fotográfica na mão. Cozinha tacos em casa semana sim, semana não.
    Social media
    Instagram: @nudores
    Twitter: @nunodores